Mentoria · Precificação

Como precificar as diárias da sua pousada sem depender do que o vizinho cobra

Olhar para o concorrente é o método mais comum e o menos confiável. Existe uma abordagem melhor — e ela começa nos seus próprios números.

Escrito por Ivete Tozetto·Leitura de 5 min

Quando pergunto para um anfitrião como ele define o preço da diária, a resposta mais comum é: "Olho o que o vizinho cobra e fico um pouco abaixo." Parece razoável. Na prática, é uma armadilha.

O problema dessa lógica é simples: se o seu vizinho também está olhando para o vizinho dele, você entra numa corrida descendente onde todo mundo vai baixando o preço até o ponto em que ninguém mais lucra. E o Airbnb fica feliz, porque o hóspede paga menos comissão proporcional.

Precificação estratégica não é sobre cobrar mais. É sobre cobrar o valor certo, para o hóspede certo, no momento certo.

O teste mais honesto que existe

Antes de qualquer estratégia, faça esse diagnóstico: nos últimos três meses, qual foi a sua taxa de ocupação? Se você está acima de 85% de forma consistente, o seu preço está baixo. Simples assim. Você está vendendo tudo, mas deixando dinheiro na mesa.

A ocupação alta não é a meta — a receita por unidade disponível é. Um anfitrião com 70% de ocupação a R$400 a noite ganha mais do que um com 90% a R$250.

Os quatro fatores que seu preço precisa refletir

Deixar de olhar para o vizinho não significa precificar no escuro. Significa olhar para as variáveis certas:

A âncora de preço: como usar o seu preço publicado a favor

Existe uma técnica chamada "price anchor" que todo negócio de hospitalidade deveria usar. A lógica é: você publica uma tarifa cheia (o "preço de tabela") e cria condições para descontos planejados — reserva antecipada, pagamento à vista, fidelidade.

O hóspede que fecha com desconto sente que fez um bom negócio. O que fecha pelo preço cheio percebe o valor real do produto. E você controla a margem em vez de brincar de leilão reverso com o vizinho.

Canal direto: sempre mais vantajoso, para os dois lados

Uma regra que vale adotar como política: o preço no seu canal direto (site, WhatsApp, motor de reservas) precisa ser sempre mais atrativo do que na OTA. Não precisa ser muito — o equivalente à metade da comissão que você teria pago já cobre o benefício.

Isso serve a dois propósitos: você retém mais margem, e o hóspede que compara preços encontra um motivo concreto para reservar direto. Quando essa lógica está clara, a OTA vira vitrine — e o seu canal vira o caixa.

"Se você está sempre cheio, seu preço está errado. Se você está sempre vazio, talvez o problema também seja o preço — mas pode ser a vitrine."

Por onde começar

Minha sugestão prática é simples: pegue os dados dos últimos seis meses — taxa de ocupação por semana, receita total, diária média — e monte uma planilha. Em poucos minutos você vai enxergar os padrões: as semanas em que você poderia ter cobrado mais e as em que você ficou com vagas desnecessárias.

A precificação deixa de ser intuição e vira processo. E processo se melhora, escala e replica.

Mentoria

Precificação é estratégia. Estratégia se aprende com método.

A Mentoria da aLoja do Anfitrião, com Ivete Tozetto, trabalha posicionamento de mercado, ajuste de precificação e estratégia de canais com quem já viveu a operação do outro lado.

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